20 de fevereiro de 2009

Diferença

Era cedo da manhã e eu estava ainda meio dormindo e me movendo quase sem pensar, como se fosse automático, fazia tudo como faço todo dia, liguei a TV, peguei o jornal na porta do meu apartamento. Parecia tudo normal até que me deparei com aquela imagem. Uma criança negra, que vestia uma fralda branquíssima, tinha a pele enrugada como a pele de uma velhinha, mas tinha aproximadamente um ano, pesava o que devia pesar uma criança de mais ou menos seis meses, tinha olhos enormes que pareciam olhar para mim. Eu me senti acomodado, um tanto cobrado e até incomodado... Num movimento brusco fechei o jornal. A criança parecia reivindicar meu café da manhã.

Por que aquela foto parecia me pedir algum tipo de explicação? E por que de repente eu me senti como se o tivesse roubado de alguma forma? Faltava-lhe brilho nos olhos e eu me senti responsável por isso. Mas por quê? Eu sempre fui um defensor da vida, dos direitos da pessoa humana. Mas parece que me tornei vítima dessa pós-modernisse onipresente em que nada tem valor absoluto, em que tudo é relativo.

Ao comparar o meu discurso de “defesa” da vida ao nojo que me causa a indiferença da classe média em relação aos problemas sociais, me vi afundando no mesmo barco. "Páre o mundo que eu quero descer". Quantos discursos vazios! O discurso vazio do meio ambiente, da liberdade de expressão, da proteção dos direitos da mulher. O discurso vazio da anti-homofobia, que implanta no país um fascismo moral às avessas. Estamos mergulhados nessa cosmovisão pós-moderna que corrói como um ácido tudo o que pensávamos ser absoluto. Como o valor da vida por exemplo.

O meu discurso de defesa da vida nunca passou de um discurso e apenas isso. Quando vi aquela criança no jornal, pensei logo: Essa criança deve ser de algum lugar remoto da África, como é que posso fazer alguma coisa por ela?Acho que estava me faltando coragem de continuar lendo a matéria relativa à fotografia, eu queria que esse problema ficasse bem longe de mim, mas à medida que lia tanto mais esse fardo caia sobre minhas costas. A verdade é que essa criança não era de uma aldeia qualquer do continente africano, essa criança era aqui do Nordeste do Brasil, bem pertinho de mim.

Na correria do dia-a-dia parece que fechei os olhos, não percebi que também era responsável por pessoas estarem em situações parecidas com a daquela criança, seja por fazer parte e corroborar essa lógica capitalista que exige essa segregação de classes sociais ou simplesmente por omissão. O fato é: Eu poderia fazer alguma coisa sim! Eu poderia fazer a diferença não apenas como jornalista, mas como disse Gandhi, Jesus e muitos outros, eu posso ser essa diferença que espero para o mundo.
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14 de fevereiro de 2009

Cristãos?

Afinal, quem detém a verdade, será que alguém ou alguma instituição um dia vai poder dizer que a possui? Nunca!

Já falei sobre verdade aqui no blog e ela é muito mais do que alguns pensam, aliás, ela é muito mais que posicionamentos, ideologias e convicções, a verdade é vida e nada mais que isso.

Observo as religiões, todas brigando e disputando o título de "Donas da Verdade", pura ilusão. Fico triste, ou melhor, fico com muita raiva e percebo nada mais que um grande jogo de interesses, parece que brigam por um prêmio, o de mais "santo". Mas acho que vão levar o prêmio "egoísta do ano".

Por incrível que pareça, aqueles que se dizem representantes de Deus, olham somente para seus próprios umbigos, deixando a “vontade” desse mesmo Deus em segundo plano, isso é uma vergonha.

Lembra do texto bíblico que faz referencia a parábola do joio e o trigo? Por favor, alguém me diga onde está o trigo e onde está o joio afinal de contas? Muitas vezes eles estão bem juntinhos nas igrejas, mas, por outro lado, o trigo também pode está lá fora, bem longe das igrejas. O que parece é que já está incutido na mente dos religiosos: O trigo somente está na igreja e por vezes acompanhado do joio, mas nunca trigo fora da igreja. É mais ou menos assim: Para ser trazer consigo a verdade não basta "crer na salvação em Cristo" ( é assim que eles, enchendo a boca, falam), tem que de quebra ser evangélico, católico, judeu etc, etc, etc.

Quantas vezes ouvi pastores perguntando na igreja __"Ainda há alguém aqui que não é evangélico?" Como se isso fosse o bastante.

Os católicos embriagados com sua loucura dizem: "Salvação só na Igreja Católica Apostólica Romana”. Os evangélicos em seus delírios dizem: ”Não queremos que as pessoas mudem de religião”, contudo, se você não for evangélico é olhado como um párea. Quanta hipocrisia. Nunca ouvi falar que Jesus( que sendo Judeu foi o “centro” das principais religiões ocidentais) tenha agido assim.

Eles dizem que "isso" tá errado que "aquilo" é pecado, mas não mostram nenhuma saída a não ser a opressão e discriminação. Que tipo de crença é essa que não agrega, só separa, machuca corações sedentos, que crença religiosa é essa que não ama, que se baseia somente em interesses que não impulsionam à vida e que, pelo contrario, faz questão de negá-la?

Quando um padrão moral(retrógado por sinal) é mais importante que os indivíduos e suas particularidades e mais ainda, quando é imposto de maneira implacável, significa fadar indivíduos a morte. Uma morte em vida. Uma morte para si mesmo.
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12 de fevereiro de 2009

Crise provoca 'temor das férias' entre trabalhadores

“Em meio à turbulência gerada pela crise financeira internacional, com informações sobre demissões em diversas áreas, trabalhadores relatam temer entrar em férias com receio de perder o emprego ao retornar”

A matéria que li no G1 trás esse título, embora tente nos mostrar que não, é claro que há, atualmente, relação entre férias e demissão,dizer que não é puro engano. Na verdade acho que esta relação realmente existe.
Esse medo está relacionado com o afastar-se da empresa que lhe assegura um salário no fim do mês, ou seja, não é que o período de férias traga consigo a demissão, mas o estar distante trás uma sensação de desligamento de desinformação, de está alheio aos acontecimentos de dentro da empresa, não estar à pá já justifica o temor do desemprego.

O trabalhador assalariado não está com medo de juros altos, de alta no preço da cesta básica, queda no preço de ações, etc. Afinal, ele se vira, não é assim que tem sido a vida inteira?

O problema é, sem sombra de dúvidas, a iminência de ficar sem emprego. Aí não tem como “apertar o cinto”, a coisa realmente fica “preta”. Neste caso o que está em jogo não é a escola, o lazer, o carro novo no fim do ano ou outra coisa deste tipo, o que está em “cheque” é a sobrevivência, do trabalhador e de sua família.
É claro que as medidas que o governo vem tomando para “conter” a crise são muito importantes, mas é preciso criar no trabalhador a sensação de segurança. Ele não pode ter a impressão de que pode estar no olho da rua a qualquer momento. Assim não há consumo, ao contrario, o trabalhador vai poupar, e assim o ciclo da produção e consumo que alavanca a economia de qualquer país não vai se completar, gerando, de fato, o desemprego.

Aliás, o povo não quer só emprego, o que o povo não quer é ter medo. O trabalho a gente consegue.
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1 de fevereiro de 2009

Israel "mata" aula e não aprende lição

Crueldade é pouco para classificar a nova arma de Israel contra os palestinos.


Depois das armas de fósforo que atingiram áreas residenciais, escolas e hospitais, depois das munições que continham urânio empobrecido que tinham como alvo a população de Gaza, crianças inclusive, Israel inova, mais uma vez, agora conta com um novo brinquedinho, presente dos Estados Unidos, estou falando dos flechettes.


 

Essa nova e até então desconhecida arma é uma bomba de 120mm que é disparada por tanques, elas carregam em seu bojo aproximadamente 8 mil dardos de metal medindo 4cm cada. As bombas explodem no ar, os dardos são lançados em todas as direções numa área de 300 metros e atingem qualquer infeliz dentro dessa área, inocente ou não, adulto, criança, homem ou mulher, ela não escolhe o alvo, mata e pronto. Imagine. 4 cm de metal denso e quente enterrado em várias partes do seu corpo. A dor deve ser terrível.

Um povo que conhece de perto o significado da palavra crueldade(Holocausto), agora, ignora e joga no lixo sua história, deixa de lado as lições que o tempo lhes deu e como cegos, obstinados e sedentos por sangue, assassinam em nome de ideais corrompidos pela soberba e pelo poder do capital.


 

Na escola chamada holocausto, Israel "matou" aula e parece que a única lição aprendida foi, tão somente a crueldade e, assim como os Generais pretendiam eliminar os Judeus, Israel, com ímpeto, se empenha em varrer do mapa a palestina.

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