Existem pessoas que realmente carregam consigo uma enorme frustração. O pior é que algumas nem devem saber que são assim. Convivo com algumas. Parecem anestesiadas.
Não são felizes, se incomodam com a felicidade do outro, principalmente se tem algum laço familiar. Esse tipo de pessoa odeia ser diferente e, quando percebe alguém ao redor com ares de felicidade ou, mesmo que seja a passos tímidos, caminhando para a felicidade, estranhamente, sente que precisa fazer algo para atrapalhar isso. Como? Fulano não pode ser feliz, tenho que fazer algo!
A parte mais triste é que alguém assim não consegue se limitar a apenas carregar consigo sua própria frustração. Além de viver amargurado, deseja que o mundo todo também viva assim. Não suporta ver pessoas bem\ sucedidas na vida. Não consegue tolerar a felicidade no semblante do outro. Saber que alguém tem competência lhe faz mal. Parece que falta capacidade, coragem ou qualquer outra coisa. Sei lá, deve ser falta de força de vontade, egoísmo, desvio de caráter. Deve ser tudo junto.
É difícil mudar o jeito mesquinho de um frustrado inveterado, eu diria que é impossível, na verdade, só o fazendo nascer de novo.
O fato é que em vez de procurar fazer algo bom de sua vida, o frustrado de carteirinha limita-se a condenar tudo o que os outros fazem. Claro, é muito mais fácil ficar de olho na vida do outro do que prestar atenção em sua própria.
"Apontar" é quase um esporte. Identificar presumíveis erros alheios é como se fosse uma missão. Ora, se tem toda essa competência, se conhece tudo sobre a vida, se sabe apontar todo erro cometido, então por que não procura fazer a coisa certa e pronto, por que em vez disso se limita a dizer que o mundo todo está errado?
É fácil estabelecer parâmetros para o outro, é extremamente cômodo ditar regras de conduta, padrões de pensamento, dizer o que temos que fazer, que tipo de vida temos que levar, com quem devemos viver, etc. O difícil é perceber a individualidade do outro, respeitar as preferências, desejos, particularidades, enfim, deixar viver.
Para o frustrado, apenas ele, o supra-sumo da capacidade e da inteligência, conhece o segredo da vida. Se conhecem, não praticam, se praticassem não seriam tão infelizes.
Pessoas assim acabam se isolando do mundo, ficam sem objetivos, diversão se torna coisa rara, abdicam de relações afetivas, não tem amigos e, quando tem algum, a relação é de puro interesse. Nunca fazem por amor, por carinho, compaixão ou simplesmente por fazer. Tudo é uma grande troca, um grande escambo da vida. Elas não ouvem música, não se empolgam com um bom filme, um bom livro. No máximo uma novela e pronto.
São pessoas medíocres, mesquinhas, são como fagulhas de tudo que há de ruim no mundo, resquícios de toda opressão, reflexos dos colonizadores, da pequena burguesia, Para essas pessoas digo, porém, que combaterei, pois, todo aquele que pretenda, se opor à felicidade alheia ou impor um costume particular aos outros costumes, um povo aos outros povos, uma raça às outras raças, um pensamento aos outros pensamentos.
Para esse tipo de gente um conselho: Bom seria viver com o coração, dar lugar as emoções. Abandonar a mecanicidade, a rotina.Levar a vida com mais leveza.
Como diria Saint Exupéry: A máquina não isola o homem dos grandes problemas da natureza, mas insere-o mais profundamente neles.