8 de setembro de 2010

Do celular ao Próximo

“Em apenas um ano, o país ganhou mais de 7,5 milhões de novos donos de celulares. Entre os donos de aparelho, 51,7% são mulheres e 48,3% são homens” (Portal R7)

Vamos lembrar do período da Revolução Industrial, começou ali a era do consumo e da produção em massa. Milhões de unidades de tudo o que se possa imaginar, sendo produzidas diariamente nas fábricas ao redor do mundo.

E, para a máquina não emperrar, toda essa montanha de produtos deve ser escoada. Para fugir da recessão, fantasma do sistema capitalista, as pessoas precisam consumir. O consumo é o coração de todo o sistema. Sem consumo, e mais, sem consumo em níveis crescentes, o sistema capitalista, sendo bem claro, vai para as cucuias.

Como manter o consumo em níveis crescentes? De acordo com Bauman o “consumismo” é um tipo de arranjo social resultante da reciclagem de vontades, desejos e anseios humano rotineiros, permanentes, transformando-os na principal força que impulsiona a sociedade.

Na vida moderna tudo é agora, o mercado imputa nas mentes humanas a necessidade de sempre ter o que é novidade, o mais moderno e, é claro, o mais caro. Neste contexto a demora é o serial killer das oportunidades para o consumo. As coisas caem em desuso de um dia para o outro. Um dos grandes responsáveis por tudo isso é a convergência digital. Todo mundo quer ter um smart phone, um Ipad ou um netbook.

Sim, é verdade que na vida “agorista” dos cidadãos da era consumista o motivo da pressa, é em parte, o impulso de adquirir e juntar. Mas o motivo que torna a pressa de fato imperativa é a necessidade de descartar e substituir.

Ora, em uma sociedade em que tudo é descartável, inclusive, as pessoas, animais de estimação, amores, relações e valores, o fato de que o consumo, o mercado e a economia também girem em torno do descarte e da substituição, não é de surpreender ninguém.

PS.: Você pode ser o próximo a ser substituído. CUIDADO!
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5 de setembro de 2010

O Mito da Caverna

“Os 33 mineiros presos no norte do Chile fizeram neste sábado (4) a primeira videoconferência em tempo real com seus familiares desde 5 de agosto.

Cada minerador conversou por cerca de um minuto com seus familiares. Graças a um sistema de comunicação de fibra óptica, as famílias puderam ver e ouvir os trabalhadores. Já no interior da mina, os interlocutores soterrados só puderam ouvir as palavras que chegavam do exterior" (portal G1)

Não é novidade para ninguém. O homem, por natureza, é um ser social. Além disso, o homem já nasce como membro de um pequeno grupo, a família. Depois passa a pertencer a outros grupos: amizade, vizinhança, escola, igreja.

A vida social em grupos e em sociedade, tanto do ponto de vista social, como do ponto de vista biológico, é condição de sobrevivência da espécie humana.

O homem vivendo em sociedade forma e desenvolve sua personalidade; é assim que a cultura é criada e, através dela, ele satisfaz suas necessidades.

Neste domingo, completa-se um mês desde que o desmoronamento soterrou os 33 mineradores (32 chilenos e um boliviano) a quase 700 metros debaixo da terra, na mina de cobre e ouro San José. É provável que eles permaneçam ali, nas profundezas da terra, por mais dois ou três meses.
Quantos de nós aguentaria ficar longe das pessoas com as quais estamos habituados a conviver? É duro ficar sem aquelas pessoas que escolhemos manter por perto.

Guardadas as devidas proporções, seria como ficar três ou quatro meses trancados em uma redação de TV, em um escritório, atrás do balcão de uma lanchonete e pior, rodeados de colegas de trabalho.

Vamos combinar, é bem possível que você goste e até admire seus companheiros de labuta. O problema é continuar gostando deles dentro de um lugar escuro, apertado, com pouco ar, sob 700 metros, com o risco iminente de ser soterrado e mais, isolado da realidade.

É claro que agora a principal meta deles deve ser a vida biológica. Mas a vida social interrompida repentinamente pode trazer muitos prejuízos. É como se os mineradores estivessem vivendo o Mito da Caverna, narrado por Platão no livro A República.

Por um minuto cada um deles pode falar com familiares, mas é evidente que é impossível, a partir disso, perceber a nova realidade do mundo lá fora, se não apenas as sombras dela, afinal, lá fora as vidas continuaram sendo vividas, mesmo sem eles.

Quando saírem do isolamento esses mineiros irão se deparar com a verdade essencial das coisas. Eles suportarão?
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