5 de setembro de 2010
O Mito da Caverna
Cada minerador conversou por cerca de um minuto com seus familiares. Graças a um sistema de comunicação de fibra óptica, as famílias puderam ver e ouvir os trabalhadores. Já no interior da mina, os interlocutores soterrados só puderam ouvir as palavras que chegavam do exterior" (portal G1)
Não é novidade para ninguém. O homem, por natureza, é um ser social. Além disso, o homem já nasce como membro de um pequeno grupo, a família. Depois passa a pertencer a outros grupos: amizade, vizinhança, escola, igreja.
A vida social em grupos e em sociedade, tanto do ponto de vista social, como do ponto de vista biológico, é condição de sobrevivência da espécie humana.
O homem vivendo em sociedade forma e desenvolve sua personalidade; é assim que a cultura é criada e, através dela, ele satisfaz suas necessidades.
Neste domingo, completa-se um mês desde que o desmoronamento soterrou os 33 mineradores (32 chilenos e um boliviano) a quase 700 metros debaixo da terra, na mina de cobre e ouro San José. É provável que eles permaneçam ali, nas profundezas da terra, por mais dois ou três meses.
Quantos de nós aguentaria ficar longe das pessoas com as quais estamos habituados a conviver? É duro ficar sem aquelas pessoas que escolhemos manter por perto.
Guardadas as devidas proporções, seria como ficar três ou quatro meses trancados em uma redação de TV, em um escritório, atrás do balcão de uma lanchonete e pior, rodeados de colegas de trabalho.
Vamos combinar, é bem possível que você goste e até admire seus companheiros de labuta. O problema é continuar gostando deles dentro de um lugar escuro, apertado, com pouco ar, sob 700 metros, com o risco iminente de ser soterrado e mais, isolado da realidade.
É claro que agora a principal meta deles deve ser a vida biológica. Mas a vida social interrompida repentinamente pode trazer muitos prejuízos. É como se os mineradores estivessem vivendo o Mito da Caverna, narrado por Platão no livro A República.
Por um minuto cada um deles pode falar com familiares, mas é evidente que é impossível, a partir disso, perceber a nova realidade do mundo lá fora, se não apenas as sombras dela, afinal, lá fora as vidas continuaram sendo vividas, mesmo sem eles.
Quando saírem do isolamento esses mineiros irão se deparar com a verdade essencial das coisas. Eles suportarão?
16 de julho de 2010
José Serra sugere ter amantes com discrição e reduzir impostos para evitar suicídios
O despreparo político, emocional e intelectual de José Serra é preocupante, é um alívio que tenha poucas chances de ser eleito presidente.
Politicamente, Serra é um desastre, capaz de trapalhadas fantásticas como a indicação de Alvaro Dias para vice e a rendição, no dia seguinte, aos caciques do DEM, que impuseram um ilustre desconhecido para o segundo cargo mais importante do país. Na remota hipótese da eleição do tucano e num seu eventual impedimento, o Brasil poderia acordar presidido por Índio da Costa, sobre quem só se conhece o envolvimento em maracutaias da merenda escolar carioca. Indio também foi vendido pela mídia serrista como “o relator do projeto ficha limpa”, mas era mentira, mais uma para a lista.
Emocionalmente, Serra é um destemperado, muito agressivo com jornalistas, especialmente com as mulheres. São numerosos os exemplos, todos disponíveis na internet, de suas agressões grosseiras aos repórteres que o entrevistam. Ao mesmo tempo, Serra é capaz de fazer constrangedores galanteios a uma repórter bonita que o entrevistava sobre a tragédia da enchente paulista, onde morreram dezenas de pessoas. E a sugerir que seu jovem vice, que lhe disse ser fiel a sua namorada, que não haveria problemas que tivesse amantes, desde que fosse discreto.
Intelectualmente, Serra é uma decepção. Já entraram para o folclore político brasileiro as bobagens que disse, em tom professoral, sobre a transmissão da gripe suína que aconteceria, segundo ele, quando alguém encosta o nariz no nariz de um porquinho. Ontem, no mesmo dia em que foi apresentado ao seu vice e lhe sugeriu ter amantes com discrição, Serra comentou a carga tributária brasileira que, segundo ele, está entre as maiores do mundo:
“Eu não estou comparando com a Suécia, com a Dinamarca, com a Finlândia, claro, são países com uma renda tão alta que todo mundo já consumiu, todo mundo já gastou no que tinha que gastar, aumenta índices de suicídio pela monotonia da vida, quer dizer, naturalmente tem uma carga tributária mais alta para o estado de bem-estar, para aposentadoria, para isso, para aquilo... Mas nos países emergentes a situação ainda não é essa, ainda há muita gente para entrar no mercado.”
15 de março de 2010
Quadrado Mundo
http://ritaapoena.blogspot.com/
14 de fevereiro de 2010
Pessoas Frustradas
Existem pessoas que realmente carregam consigo uma enorme frustração. O pior é que algumas nem devem saber que são assim. Convivo com algumas. Parecem anestesiadas.
Não são felizes, se incomodam com a felicidade do outro, principalmente se tem algum laço familiar. Esse tipo de pessoa odeia ser diferente e, quando percebe alguém ao redor com ares de felicidade ou, mesmo que seja a passos tímidos, caminhando para a felicidade, estranhamente, sente que precisa fazer algo para atrapalhar isso. Como? Fulano não pode ser feliz, tenho que fazer algo!
A parte mais triste é que alguém assim não consegue se limitar a apenas carregar consigo sua própria frustração. Além de viver amargurado, deseja que o mundo todo também viva assim. Não suporta ver pessoas bem\ sucedidas na vida. Não consegue tolerar a felicidade no semblante do outro. Saber que alguém tem competência lhe faz mal. Parece que falta capacidade, coragem ou qualquer outra coisa. Sei lá, deve ser falta de força de vontade, egoísmo, desvio de caráter. Deve ser tudo junto.
É difícil mudar o jeito mesquinho de um frustrado inveterado, eu diria que é impossível, na verdade, só o fazendo nascer de novo.
O fato é que em vez de procurar fazer algo bom de sua vida, o frustrado de carteirinha limita-se a condenar tudo o que os outros fazem. Claro, é muito mais fácil ficar de olho na vida do outro do que prestar atenção em sua própria.
"Apontar" é quase um esporte. Identificar presumíveis erros alheios é como se fosse uma missão. Ora, se tem toda essa competência, se conhece tudo sobre a vida, se sabe apontar todo erro cometido, então por que não procura fazer a coisa certa e pronto, por que em vez disso se limita a dizer que o mundo todo está errado?
É fácil estabelecer parâmetros para o outro, é extremamente cômodo ditar regras de conduta, padrões de pensamento, dizer o que temos que fazer, que tipo de vida temos que levar, com quem devemos viver, etc. O difícil é perceber a individualidade do outro, respeitar as preferências, desejos, particularidades, enfim, deixar viver.
Para o frustrado, apenas ele, o supra-sumo da capacidade e da inteligência, conhece o segredo da vida. Se conhecem, não praticam, se praticassem não seriam tão infelizes.
Pessoas assim acabam se isolando do mundo, ficam sem objetivos, diversão se torna coisa rara, abdicam de relações afetivas, não tem amigos e, quando tem algum, a relação é de puro interesse. Nunca fazem por amor, por carinho, compaixão ou simplesmente por fazer. Tudo é uma grande troca, um grande escambo da vida. Elas não ouvem música, não se empolgam com um bom filme, um bom livro. No máximo uma novela e pronto.
São pessoas medíocres, mesquinhas, são como fagulhas de tudo que há de ruim no mundo, resquícios de toda opressão, reflexos dos colonizadores, da pequena burguesia, Para essas pessoas digo, porém, que combaterei, pois, todo aquele que pretenda, se opor à felicidade alheia ou impor um costume particular aos outros costumes, um povo aos outros povos, uma raça às outras raças, um pensamento aos outros pensamentos.
Para esse tipo de gente um conselho: Bom seria viver com o coração, dar lugar as emoções. Abandonar a mecanicidade, a rotina.Levar a vida com mais leveza.
Como diria Saint Exupéry: A máquina não isola o homem dos grandes problemas da natureza, mas insere-o mais profundamente neles.
4 de dezembro de 2009
Existia um motivo
As coisas poderiam ser tão mais simples, na verdade penso que a simplicidade poderia ser a resposta para minhas dúvidas. Mas o problema é: Não sei simplificar nada e um simples “sim” ou “não” consigo transformar em um grande TALVEZ.
Tudo passa tão rápido, as “cortinas” logo vão se fechar, meus sonhos daqui a pouco serão outros, porque não consigo vivê-los e só?
Sei que as pessoas que passam em nossas vidas de uma maneira ou de outra vão deixar em nós, ou levarão em si alguma marca, seja qual for, umas maiores, outra menores, ainda assim serão marcas. Isso é fato, não sei por que não aceito de uma vez por todas.
Preciso aprender a deixar essas pessoas passarem livremente, sem neuras, sem inseguranças, preciso aprender a viver o melhor possível seja com quem for, onde for ou quando for.
As coisas nunca são por acaso, acho que não existe acaso, mas só percebo isso quando olho para trás e penso: “Era tudo um grande quebra-cabeça, tudo se encaixou, existia um motivo”
11 de novembro de 2009
Câmara assegura a constitucionalidade do diploma
Em votação simbólica ocorrida na manhã desta quarta-feira (11/11) a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 386/09. A FENAJ prossegue com a vigília nacional em defesa da profissão de jornalista e pela aprovação da matéria, agora na CCJC do Senado.
A votação na CCJC da Câmara ocorreu através do voto das lideranças das bancadas com presença na Comissão. O único voto contrário foi da bancada do PSDB. “Esta votação é um atestado da constitucionalidade da exigência do diploma e uma garantia de que não existe conflito entre a regulamentação profissional dos jornalistas e o direito à livre expressão”, comemorou, eufórico, o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade.
Na tarde desta quarta-feira os sindicalistas reúnem-se com a Frente Parlamentar em Defesa do Diploma. A ideia é agilizar a formação da Comissão Especial, compromisso já assumido pelo presidente da casa, Michel Temmer, para agilizar a tramitação da PEC.
29 de outubro de 2009
Votação da PEC dos Jornalistas é adiada novamente
Identificado com os interesses dos empresários de comunicação, na justificativa de seu voto em separado Zenaldo Coutinho usou os mesmos argumentos das entidades patronais para se posicionar contra a PEC dos Jornalistas. Sua iniciativa se coaduna com a estratégia empresarial que, na semana passada, através da publicação de artigo da presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Judith Brito, em veículos de comunicação de todo o país, buscou influenciar o posicionamento dos membros da CCJC.
Autor da PEC dos Jornalistas, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) classificou como um tipo de "censura" tanto a prática da grande mídia, que restringe o acesso ao debate quando concede espaço somente a uma versão dos fatos, como a tentativa de barrar a votação da Proposta na CCJ. "É estranho que aqueles que se dizem defensores da liberdade de expressão revelem na prática exatamente o inverso, manipulando e restringindo a discussão. Desde que se começou a cogitar a votação da PEC na CCJ, iniciaram, estrategicamente, movimentos para impedir a análise da Proposta, o que considero uma prática anti-democrática", critica.
Pimenta adianta que, para a próxima semana, juntamente com a FENAJ, o relator da PEC dos Jornalistas, deputado Maurício Rands (PT-PE) a líder da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma, deputada Rebeca Garcia (PP-AM) e com o deputado Mauricio Quintella Lessa (PR-AL) serão desenvolvidos esforços para que a PEC seja votada na reunião da CCJC do dia 4 de novembro.
Há expectativa, também, de que no mesmo dia os deputados Paulo Pimenta, Maurício Rands e Rebeca Garcia sejam recebidos pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, para discutir uma alternativa à decisão que extinguiu com a exigência do diploma.
16 de outubro de 2009
PEC sobre diploma de jornalistas pode ser votada na próxima semana
Silvio Melo com Agência Câmara
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania pode votar já na próxima quarta-feira (21) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 386/09, que restabelece a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. O parecer do relator, deputado Maurício Rands (PT-PE), pela admissibilidade da PEC, foi lido ontem na comissão, mas um pedido de vista adiou sua votação até a próxima semana.
O deputado Maurício Quintela Lessa (PR-AL) explicou que pediu vista para aguardar o debate desta quinta-feira na comissão, em que foram ouvidos representantes das empresas do setor de comunicação, a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), e a Ordem dos advogados do Brasil (OAB). "Mas na próxima semana a PEC estará pronta para entrar na pauta, dependendo do interesse dos deputados em votá-la", disse.
Há quatro meses, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por oito votos a um, que o diploma universitário não é obrigatório para o exercício da profissão de jornalista. Segundo os ministros, a obrigatoriedade do diploma pode ferir a liberdade de expressão, um direito constitucional.
Colunas e artigos
Para o presidente da Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade, a regulamentação da profissão não limita o acesso aos meios de comunicação. Segundo ele, todos os dias, 40% do espaço editorial dos jornais é escrito por pessoas que não são jornalistas, mas que emitem opinião por meio de colunas e artigos assinados.
"Quem continua decidindo quem tem espaço para expressão nos veículos são os empresários, são decisões políticas, e a gente sabe muito bem disso", disse. Andrade citou a exclusão de políticos que são banidos de rádios e jornais locais, e questionou a decisão do Supremo.
A formação superior seria um critério democrático para a entrada nos veículos de comunicação, enquanto a outra opção seria autocrática, ou seja, o dono de um jornal ou TV decide quem vai ou não ser jornalista. "A prática profissional, o jornalismo, deve ser exercido por quem se habilita na teoria, se apropria de técnicas específicas e de uma ética determinada", defendeu.
A Fenaj trouxe alguns exemplos do que já está acontecendo. Um anúncio oferecia um curso de R$ 40 para quem quiser ser jornalista sem diploma, e um analfabeto conseguiu por decisão liminar o registro profissional da categoria.
Andrade disse que não é possível ver qualquer diferença nas últimas edições de grandes revistas, jornais e telejornais, que continuam contratando jornalistas técnicos formados por escolas de comunicação, mas no interior a realidade é diferente. "Se existe profissionalização no interior do Brasil, é porque havia uma lei, e a contribuição que as escolas deram no Brasil é enorme, principalmente ao moralizar essa atividade", completou.
31 de agosto de 2009
Identidade
Um coração. Emoção, mistura de sentimentos. Conflito de certezas e dúvidas.
Um eterno desconhecido, "caçador de mim". Complicado e simples, paradoxal, consigo ir da organização ao caos.
Pescador de ilusões, cativante e desprezível, sensível e implacável, indestrutível e frágil. Eu sou assim. Pedaço de mim, lacunas de mim, feridas abertas em mim.
Perfeito? Sim! Mas por ser pré-feito.
Imperfeito? Sim!!! Sim porque ainda não chegou o fim.
Na roda da vida: aluno e professor.
Grande, na volta ao mundo.
Mundo girou, torno-me pequeno.
Na vida sou livre e sou refém, tenho fé, e não acredito em ninguém.
Sou um labirinto de meia-parede, posso ver
aonde ir, mas não é por onde eu quero seguir.
Minha vontade é vencer meus "moinhos", ir e voltar pelo caminho.
Quero ter alguém por perto. E, quando decidir, quero ficar só.
Posso te fazer infeliz, mas talvez comigo você se torne a pessoa mais feliz que já existiu.
É o que sou, faço e desfaço, sigo e tropeço, acerto e erro.
Mistura de riso e choro, risco e cautela, apatia e euforia, bom e mau.
Sou eu...
Eu sou assim.
Na verdade,
nem sei quem sou.
9 de agosto de 2009
Hoje
Eu queria conseguir expor nesse texto ao menos um terço do que estou sentindo hoje.
Apesar de parecer um dia normal, afinal todo mundo tem um pai - exceto os filhos de Guaiamum, como dizia Chico – Mas, voltando ao cerne da questão, hoje não é, de forma alguma, um dia comum, mas como poderia? O meu pai não era tão comum assim.
A verdade é que, apesar de tudo, queria que ele ainda estivesse por aqui, vivo, perto de mim, poderia até brigar comigo, juro que não i ligar.
Há alguns anos este dia seria um dia daqueles de acordar cedo e, é claro, passar um pedaço da manhã com um friozinho chato na barriga até tomar coragem.
É, meu pai era um pouco assim, inconstante e eu nunca soube direito como me aproximar dele. Mas, vencidos os moinhos, valia à pena chegar lá e dá um abraço bem apertado nele, dizer que o amava e ouvir ele me chamando de professor. Só Deus sabe como sofro por não ter mais isso. Queria poder fazer o tempo voltar só para poder acordar cedo e dizer sem cerimônia alguma...
... Feliz dia dos pais!