30 de julho de 2009

GRIPE SUÍNA- Contar os mortos, disseminar o pânico

Luiz Antonio Magalhães

Sim, há uma nova gripe circulando no país, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, como de resto em praticamente todo o mundo. É fato. Algumas pessoas vão morrer da moléstia, como de resto morre gente vítima das outras gripes existentes. Também é fato. O que tem sido visto na grande imprensa brasileira nos últimos dias, porém, é praticamente um crime contra o bom senso e a inteligência do distinto público. A cobertura da chamada gripe suína (o nome correto é Influenza A H1N1) se tornou uma verdadeira aberração, provoca pânico na população e certamente vai se mostrar exagerada em menos de dois ou três meses, quando os números da tal "terrível pandemia" começarem a murchar. Como a mídia não tem autocrítica, porém, logo surgirá outro assunto para a irresponsabilidade dos responsáveis pelas manchetes e escaladas dos telejornais.

Não é preciso ser gênio para perceber que a cobertura dos últimos dias e semanas, focada na contagem do número de mortos que a maléfica gripe já provocou no país, não tem nenhuma outra utilidade senão a de disseminar o pânico. O ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, em sua coluna dominical (26/7) reproduzida ao final deste texto, classificou a cobertura da Folha - e em especial uma reportagem publicada no domingo anterior (19/7), intitulada "Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses" - como "um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008".

Carlos Eduardo se limitou a escrever sobre a Folha, mas as suas observações valem para praticamente todos os grandes jornais e telejornais. Todos os dias o público vai sendo informado do número de mortos em decorrência da nova gripe, porém sem qualquer referência estatística ou base comparativa que permita a compreensão do fenômeno em curso. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já explicou, inclusive no programa televisivo deste Observatório, que a taxa de letalidade da gripe suína é a mesma da gripe comum - cerca de 0,6% dos infectados acabam morrendo. (Para ser preciso, usando os dados da OMS divulgados na segunda-feira, 27/7, são 87 mil infectados nas Américas para 707 mortes. A taxa de letalidade fica em 0,8%, mas deve ser muito mais baixa porque os países pararam de fazer testes para descobrir os infectados, que devem superar em muito os 87 mil).

Do ponto de vista da imprensa, porém, este é um dado que não deve ser de maneira alguma alardeado - afinal, notícia ruim é o que vende jornal e aumenta audiência na televisão. As estatísticas também mostram que morre muito mais gente de diarréia e verminose por semana no Brasil do que, desde o início do ano (quase oito meses!) de gripe suína. Aliás, só no inverno passado (junho/julho) foram 4,5 mil mortos da gripe "normal" contra os tais 45 da gripe suína neste ano.

Recordar é viver

O pior de tudo é que a mídia insiste em não aprender com os erros passados. Ao contrário, gosta de repetir os mesmos equívocos, mesmo que eles possam vir a cobrar seu preço em perda de credibilidade. A cobertura da nova doença, por exemplo, faz lembrar um pouco a do tal do Ebola, o vírus que dizimaria meia África e deixaria um rastro de desgraça pelo mundo afora. Na época (edição de 9 de agosto de 2000), a revista Veja publicou reportagem cujos títulos e lides eram os seguintes:

Truque assassino

Descoberto mecanismo de infecção do vírus Ebola, que mata nove entre dez contaminados

O Ebola é um pesadelo. Capaz de liquidar suas vítimas em poucos dias, é o mais violento de todos os vírus. De cada dez pessoas contaminadas, nove morrem. Isso ocorre porque o microrganismo ataca veias e artérias de todo o corpo, provocando hemorragia generalizada. Certos órgãos, como o fígado e os rins, simplesmente se desfazem e o sangue jorra em tal profusão que sai pelos olhos e poros. Na semana passada, cientistas americanos anunciaram o primeiro passo para combater esse assassino cruel: a descoberta da proteína usada pelo Ebola para destruir as células, causando o rompimento dos vasos sanguíneos. Entender o mecanismo de infecção torna possível o desenvolvimento de recursos para controlá-lo. "Remédios exigem maior prazo de pesquisa, mas uma vacina pode ser desenvolvida com rapidez", disse a VEJA Gary Nabel, coordenador da pesquisa no Instituto Nacional de Saúde, responsável pelos estudos com o vírus, nos Estados Unidos.

Bem, a África continua por lá e os africanos também. Mundo afora, parece que não foi muita gente que morreu contaminada pelo "pesadelo" da Veja, que mataria nove de cada dez contaminados. É evidente que a taxa de letalidade não poderia ser tão alta, é óbvio que a "reportagem" era uma aula de sensacionalismo barato.

Sensacionalismo ou motivação política

A reportagem da Folha, cuja irresponsabilidade foi apontada pelo ombudsman do jornal, é apenas um exemplo entre tantos outros que poderiam ser colhidos ao acaso em todos os grandes veículos de comunicação do país. Resta então analisar por que a mídia brasileira realiza uma cobertura tão equivocada da gripe suína. Vamos lá:

Qualquer estudante de primeiro ano de jornalismo ou qualquer jovem esperto, sem diploma, que entrar em uma redação percebe, em questão de minutos, o verdadeiro fascínio que as más notícias exercem sobre os jornalistas. Notícia ruim, tragédia das realmente pesadas, vende muito mais do que fatos positivos. A menos, é claro, que a boa notícia seja algum novo milagre de Fátima, a cura definitiva do câncer ou vitória da seleção em Copa do Mundo. O fato é que jornalistas gostam de notícias ruins porque elas vendem, portanto os ajudam a levar para casa o leitinho das crianças (em alguns casos, o "leitinho" é para os adultos mesmo). Enfim, a vida é dura e nada como uma boa manchete trágica para chamar atenção do público.

Por outro lado, já circula na internet, em blogs pró e contra o atual governo, a versão de que a cobertura da imprensa no caso da gripe suína visa desestabilizar o até aqui muito bem avaliado trabalho do ministro Temporão e, por tabela, tirar mais uns pontinhos da altíssima popularidade do presidente Lula. Sim, é a clássica teoria conspiratória: a mídia contra o governo, usando as armas disponíveis, mesmo que elas signifiquem botar no papel ou na telinha da televisão algo que pouco tem a ver com a realidade. Para os partidários desta teoria, o caso da gripe seria ainda mais estratégico, pois o candidato preferido da oposição ao cargo de Lula, o governador paulista José Serra (PSDB), foi ministro da Saúde, e a "desconstrução" da competência do atual ministro cairia como uma luva para a candidatura tucano-demista em 2010. Quem advoga esta tese lembra as "crises artificiais" criadas pela mídia, como a aérea, que no entanto pouco ou nada afetaram a popularidade do governo Lula.

É claro que ainda é cedo para dar um veredicto final sobre a cobertura da imprensa da gripe suína, mas já é possível sustentar a hipótese de a fome (de audiência e vendas) estar colada à vontade de comer (prejudicar um governo em relação ao qual a grande imprensa sempre foi francamente hostil). Os fatos, porém, acabam se impondo e são sempre mais fortes do que as versões construídas pela mídia, como prova o caso do "sequestro da caderneta de poupança", tão ventilado nas folhas e que se mostrou frágil como um castelo de cartas. Portanto, nada como um dia após o outro para que um quadro mais preciso das reais motivações da mídia nesta cobertura acabe aparecendo. O distinto público, para desalento de certos mancheteiros, é mais esperto do que se imagina...

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10 de maio de 2009

Sucesso

Na visão da grande maioria ter sucesso é vencer e, ainda mais, vencer sempre. E às vezes quando obtenho vitória em alguma investida na minha vida, eu me pergunto se vencer é suficiente, ou se essa palavra realmente significa ter sucesso.

Para mim sucesso, não é ser um vencedor, é muito mais que isso... Ter sucesso é:
Às vezes perder e assim descobrir quem realmente está do meu lado. É ter a glória de chorar. É ter a oportunidade de pedir perdão e assim o fazer. Ter a grandeza de perdoar alguém. É correr o risco de chorar quando me deixo cativar por outro. É não conseguir terminar algo que comecei e não me culpar ou me martirizar por isso. Amar sem pedir nada em troca ou até mesmo quando não sou amado também.

A vida nos mostra que perder às vezes é sinônimo de sucesso assim como vencer outras vezes assume tal papel. Na verdade sucesso me parece ser uma linha tênue entre o vencer e o perder. Sendo assim, a partir de hoje não quero ser apenas mais um vencedor, quero perder de vez em quando. Não quero viver no lema do “vencer ou vencer” nem quero participar dessa grande competição pregada pela vida pós-moderna. Quero perder, quero chorar, quero ser perdoado, quero errar... Quando conseguir fazer tudo isso sem culpa ou vergonha, poderei ter a certeza de que descobri o verdadeiro significado da palavra SUCESSO.

Ser um ser humano comum como qualquer outro: falho, imperfeito, vulnerável. Sem, contudo, deixar de sonhar ou abandonar a sinceridade é minha meta para 2009.
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21 de abril de 2009

Quando serei eu mesmo o autor?

Li o texto de Fernanda Medeiros no site www.dominiocultural.com "Pensamentos suicidas". Foi como uma bofetada no rosto e não pude deixar de refletir sobre minha própria vida. Comecei a perceber como sou inconstante, isso por mais seguro que eu me mostre, pensei também como as pessoas perdem ou ganham importância em minha vida de acordo com meu estado de espírito, ora quero tê-las por perto, ora essas mesmas pessoas tornam-se perfeitamente dispensáveis. Como sou insatisfeito, como nada basta, sempre falta alguma coisa ou alguém.

É verdade que nunca pensei na morte propriamente dita, mas devo assumir que já pensei "É só isso?"ou "Será que me dei o bastante?", ou ainda, como disse Coco Chanel "Já não sou mais quem era, devo ser quem me tornei". Mas o que será que me tornei afinal? Sei que questionar é extremamente saudável e pôr à prova o que acreditamos é necessário, porém não ter certeza de quase nada é um tanto quanto perturbador.

A internet, a rapidez da informação, a indústria cultural, os meios de comunicação de massa e tudo mais que acompanha essa pós-modernidade, provavelmente sejam os grandes vilões da minha história como indivíduo. A verdade é que vivo numa intensa luta contra tudo e contra todos, ou melhor, acho que tudo isso não passa de uma luta contra mim mesmo. São tantas identidades ofertadas a mim, tantas coisas me condicionando que, assim como nas crônicas de Clarice Lispector(1968) e de Martha Medeiros(2000) eu me pergunto: "E se eu fosse eu?". Será que as pessoas que fazem parte de minha vida hoje teriam o mesmo valor, ou minhas respostas em relação à vida seriam as mesmas, esse texto que ainda nem terminei de escrever, teria o mesmo teor? Não sei dizer!

Tudo parece um grande espetáculo, minha vida tornou-se um imenso palco e, a todo tempo estou contracenando com alguém e numa espécie de rodízio vão mudando os atores e personagens: Vilões, heróis, mocinhos e mocinhas. Eu sempre interpretando, novos papéis novas falas e outros roteiros. E me pergunto:

Quando serei eu mesmo o autor?

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2 de abril de 2009

STJ adia julgamento de recurso contra o diploma

Inicialmente incluído para entrar na pauta do Supremo Tribunal Federal na sessão desta quarta-feira (1º/04), o julgamento do Recurso Extraordinário RE 511961, que questiona a exigência de diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão, foi adiado. Para a FENAJ o adiamento foi positivo. A Executiva da entidade e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma vão se reunir para traçar novas estratégias de continuidade do movimento.
Não foi divulgada nova data para julgamento do recurso contra o diploma.

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1 de abril de 2009

Jornalista sem diploma?

A obrigatoriedade do diploma de nível superior para obtenção do registro profissional de jornalista está mais uma vez em risco. Isso mesmo, a regulamentação da categoria que é assegurada pelo Decreto-lei nº 83.284/79 pode ser ignorada outra vez.

Em outubro de 2001, a juíza federal Carla Abrantkoski Rister concedeu liminar a uma ação civil pública, desobrigando qualquer cidadão de portar diploma de nível superior na área para conseguir seu registro profissional de jornalista. Isso significa dizer que: Em uma decisão a juíza pôs por terra toda a luta de uma classe de profissionais e abriu o mercado de trabalho para qualquer cidadão, com diploma ou não, assim, ela pôs em risco toda a credibilidade e a ética profissional conquistada ao longo de tantos anos da imprensa no Brasil.

Em 2005, órgãos classistas e setores expressivos da categoria (bem como dos estudantes e professores da área) conseguiram depois de muita luta derrubar a liminar contra o diploma. Foi uma decisão unânime, que surpreendeu até mesmo os mais otimistas.

Pois é, o diploma está na berlinda novamente. O supremo Tribunal Federal (STF), provavelmente, derrubará ainda hoje a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. O argumento é: O exercício da profissão de jornalista não deveria estar atrelado ao diploma de graduação específico em jornalismo.

Por fim à obrigatoriedade do diploma de jornalista não é uma tentativa isolada do Judiciário. Há também, propostas apresentadas pelo poder Executivo e Legislativo a fim de criar mecanismos que sugerem uma maior flexibilização no que diz respeito à exigência da graduação específica para a área.

Porém é preciso reiterar a constitucionalidade da exigência do diploma. E que grande parte dos que se opõem à exigência da graduação como requisito para o exercício do jornalismo reage numa tentativa de combater conquistas como: Leis trabalhistas, a luta por melhores salários, condições de exercício profissional, direitos sociais e até mesmo contra ações que, por exemplo, regulam e coíbem o monopólio na comunicação.

Muitos que se posicionam contra, assim o fazem em defesa de interesses pessoais ou baseados numa leitura errada dos fatos que fazem parte dos bastidores desta disputa.

É preciso intensificar, no ambiente acadêmico, o interesse por esse tema. A participação da sociedade em geral, dos profissionais da área, professores de jornalismo, bem como, dos futuros jornalistas nessa luta a favor da obrigatoriedade do diploma é de fundamental importância, afinal, serão eles os mais prejudicados caso essa medida seja concretizada.

O mercado de trabalho será invadido por “profissionais” sem formação específica e que ainda estarão postos no mesmo nível daqueles que têm formação superior na área, além de tudo, os salários ficarão ainda mais defasados, além de diminuir a oferta trabalho. Diploma superior: Bom para o jornalista, melhor para a sociedade.


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Lei de Imprensa e diploma de jornalista são destaques da pauta de julgamentos do STF

A pauta de julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quarta-feira (1) traz dois processos referentes à atuação de jornalistas. Em um deles, são questionados dispositivos da Lei de Imprensa e, em outro, a exigência de diploma de jornalista. A sessão plenária tem início às 14h, com transmissão ao vivo pela TV e Rádio Justiça.

Lei de Imprensa

Na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130, o Partido Democrático Trabalhista (PDT) contesta a Lei de Imprensa (Lei 5.250/67), que já teve 22 dispositivos suspensos, de um total de 77 artigos, por decisão liminar concedida pelo Plenário do STF em fevereiro do ano passado. O relator da ação é o ministro Carlos Ayres Britto.
Na ocasião, a Corte autorizou os juízes de todo o país a utilizar, quando cabíveis, regras dos Códigos Penal e Civil para julgar processos sobre os dispositivos da lei que foram suspensos.
Diploma de jornalista

Já na análise do Recurso Extraordinário (RE) 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no estado de São Paulo (SERTESP) e pelo Ministério Público Federal (MPF), os ministros do Supremo vão julgar definitivamente tema relativo à exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista.

Em julgamento de liminar ocorrido no mês de novembro de 2006, o STF garantiu o exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área. O ministro Gilmar Mendes é o relator desse recurso.
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30 de março de 2009

Por 12 votos a 7

O Colégio de Procuradores de justiça da Paraíba votou no inicio da tarde desta segunda-feira (30), um projeto de lei que tinha como foco principal excluir dos promotores de justiça o direito de serem votados para o cargo de procurador geral de justiça. O projeto altera o artigo 6° da lei orgânica do Ministério Público que garante ao promotor de justiça o direito de concorrer ao cargo maior da instituição.

Dos 19 membros do colégio, 12 votaram contra a manutenção da lei orgânica do MP e 7 a favor. Agora a procuradoria geral de Justiça encaminhará o projeto à Assembleia Legislativa, que deverá manter a decisão.

De acordo com a procuradora geral de Justiça, Janete Ismael (foto à esquerda), o governador José Maranhão já teria garantido que não vai se envolver na discussão, para ele, este assunto só diz respeito ao Ministério Público. No entanto, Caso a mudança seja aprovada pela Assembleia, caberá ao governador a decisão de vetar ou sancionar o projeto.

Os promotores de justiça já estão se mobilizando para que a matéria não seja aprovada pelos deputados.

O presidente em exercício da Associação Paraibana do Ministério Público, Amadeus Lopes (foto à direita), reagiu contra a manobra, afirmando que se trata de uma conquista histórica dos promotores.


Segundo Amadeus os promotores de justiça já estão se mobilizando para que a matéria não seja aprovada pelos deputados. Ainda segundo o promotor, dos 208 promotores do Estado, 130 são contra o projeto.


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3 de março de 2009

Dá pra acreditar?

"O caso da menina de 9 anos que engravidou de gêmeos depois de ser estuprada será resolvido pela Justiça. O acusado do crime é o padrasto de 23 anos. O pai da criança foi ouvido nesta segunda-feira pela Assistência Social do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip) e, evangélico, teria se posicionado contra o procedimento de aborto, iniciado no último sábado. Sem a decisão da junta médica do hospital e com a divergência entre os pais, a situação será decidida por um juiz da infância e da juventude"(Jornal do comércio)
Bem, vamos lá. Para entendermos melhor o caso, vou tentar dividir meu comentário em três partes.


A mãe
Pense um pouco: Há quanto tempo a mãe da vítima esteve "casada" com esse monstro de 23 anos? Não sei, mas é de se imaginar que ela, ao menos minimamente, o conheça. Digo isto, porque acho que caráter é algo que não se consegue, de forma alguma, esconder. O dia a dia se encarrega em dizer quem é quem.


Ela, de uma maneira ou de outra, deveria ter percebido, através do comportamento de seu companheiro, a iminência desta tragédia.
Provavelmente ele deve ter dito a que veio, ou seja, ter se mostrado como alguém que, pelo que aconteceu (o estupro) não amava essa criança.
Mas não vamos culpá-la, afinal o acusado é o padrasto da menina.


O pai
Que tipo de débil mental as igrejas estão produzindo afinal? Que tipo de pai é esse que escolhe, em nome de uma instituição, submeter a própria filha ao calvário de carregar dentro de si duas crianças que são consequência de um ato de incomensurável monstruosidade?


Além dos riscos à saúde física da menina, que tem apenas 9 anos, deve-se pensar também em como será sua vida, sendo obrigada a cuidar de duas crianças, não tendo ainda estrutura física e muito menos psicológica para isso. Sem falar no peso que deve ser olhar para seus próprios filhos e ter que se lembrar do sofrimento causado pelo crime hediondo praticado por seu padrasto. Onde está o amor deste pai?


Que tipo de coisa se ensina em uma igreja; será que o aborto, neste caso, não seria um ato de amor? Na verdade, me parece, que o verdadeiro significado da palavra "AMOR" ainda está encoberto pelo véu da ignorância que é corroborada por instituições que defendem apenas seus próprios interesses, deixando a pessoa humana em segundo plano.


Ter filho deveria ser uma escolha. Acho que uma criança de 33 quilos, 1,36 de altura e 9 anos de idade, não deve ter escolhido ser mãe agora, não é mesmo?
A gravidez gemelar apresenta riscos à saúde e à vida da mãe. E nestes casos, o aborto está assegurado por lei. Então que se dê inicio aos procedimentos.


O padrasto
Eu suponho que ao unir-se com uma mulher que traz consigo filhos de outro relacionamento, o homem deve aceitar e, ainda mais, amar a condição de fazer às vezes de um pai. Se não for assim por que continuar o relacionamento?
Ao longo do tempo as palavras padrasto e madrasta tem ganhado uma conotação muito negativa. Mas, eu ainda acredito que um padrasto ou uma madrasta tem a possibilidade de amar uma criança ainda mais e, numa intensidade bem maior que o genitor. Afinal, em não sendo os pais biológicos, eles estão na condição de escolher amar ou não a criança(se a escolha for não, cai fora) ao contrário dos pais que podem amar muito, mas amam apenas pelos laços sanguíneos.


Se ele escolheu deixar o relacionamento ter continuidade, presumi que ele escolheu também amar à criança, mas não foi bem assim. Ele a estuprou.
Não consigo entender como alguém pode querer manter um relacionamento sexual forçadamente com alguém, e pior, neste caso foi com uma criança, com a filha de sua esposa, a qual ele deveria ter escolhido amar. Será que alguém pode classificar uma pessoa dessas?

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20 de fevereiro de 2009

Diferença

Era cedo da manhã e eu estava ainda meio dormindo e me movendo quase sem pensar, como se fosse automático, fazia tudo como faço todo dia, liguei a TV, peguei o jornal na porta do meu apartamento. Parecia tudo normal até que me deparei com aquela imagem. Uma criança negra, que vestia uma fralda branquíssima, tinha a pele enrugada como a pele de uma velhinha, mas tinha aproximadamente um ano, pesava o que devia pesar uma criança de mais ou menos seis meses, tinha olhos enormes que pareciam olhar para mim. Eu me senti acomodado, um tanto cobrado e até incomodado... Num movimento brusco fechei o jornal. A criança parecia reivindicar meu café da manhã.

Por que aquela foto parecia me pedir algum tipo de explicação? E por que de repente eu me senti como se o tivesse roubado de alguma forma? Faltava-lhe brilho nos olhos e eu me senti responsável por isso. Mas por quê? Eu sempre fui um defensor da vida, dos direitos da pessoa humana. Mas parece que me tornei vítima dessa pós-modernisse onipresente em que nada tem valor absoluto, em que tudo é relativo.

Ao comparar o meu discurso de “defesa” da vida ao nojo que me causa a indiferença da classe média em relação aos problemas sociais, me vi afundando no mesmo barco. "Páre o mundo que eu quero descer". Quantos discursos vazios! O discurso vazio do meio ambiente, da liberdade de expressão, da proteção dos direitos da mulher. O discurso vazio da anti-homofobia, que implanta no país um fascismo moral às avessas. Estamos mergulhados nessa cosmovisão pós-moderna que corrói como um ácido tudo o que pensávamos ser absoluto. Como o valor da vida por exemplo.

O meu discurso de defesa da vida nunca passou de um discurso e apenas isso. Quando vi aquela criança no jornal, pensei logo: Essa criança deve ser de algum lugar remoto da África, como é que posso fazer alguma coisa por ela?Acho que estava me faltando coragem de continuar lendo a matéria relativa à fotografia, eu queria que esse problema ficasse bem longe de mim, mas à medida que lia tanto mais esse fardo caia sobre minhas costas. A verdade é que essa criança não era de uma aldeia qualquer do continente africano, essa criança era aqui do Nordeste do Brasil, bem pertinho de mim.

Na correria do dia-a-dia parece que fechei os olhos, não percebi que também era responsável por pessoas estarem em situações parecidas com a daquela criança, seja por fazer parte e corroborar essa lógica capitalista que exige essa segregação de classes sociais ou simplesmente por omissão. O fato é: Eu poderia fazer alguma coisa sim! Eu poderia fazer a diferença não apenas como jornalista, mas como disse Gandhi, Jesus e muitos outros, eu posso ser essa diferença que espero para o mundo.
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14 de fevereiro de 2009

Cristãos?

Afinal, quem detém a verdade, será que alguém ou alguma instituição um dia vai poder dizer que a possui? Nunca!

Já falei sobre verdade aqui no blog e ela é muito mais do que alguns pensam, aliás, ela é muito mais que posicionamentos, ideologias e convicções, a verdade é vida e nada mais que isso.

Observo as religiões, todas brigando e disputando o título de "Donas da Verdade", pura ilusão. Fico triste, ou melhor, fico com muita raiva e percebo nada mais que um grande jogo de interesses, parece que brigam por um prêmio, o de mais "santo". Mas acho que vão levar o prêmio "egoísta do ano".

Por incrível que pareça, aqueles que se dizem representantes de Deus, olham somente para seus próprios umbigos, deixando a “vontade” desse mesmo Deus em segundo plano, isso é uma vergonha.

Lembra do texto bíblico que faz referencia a parábola do joio e o trigo? Por favor, alguém me diga onde está o trigo e onde está o joio afinal de contas? Muitas vezes eles estão bem juntinhos nas igrejas, mas, por outro lado, o trigo também pode está lá fora, bem longe das igrejas. O que parece é que já está incutido na mente dos religiosos: O trigo somente está na igreja e por vezes acompanhado do joio, mas nunca trigo fora da igreja. É mais ou menos assim: Para ser trazer consigo a verdade não basta "crer na salvação em Cristo" ( é assim que eles, enchendo a boca, falam), tem que de quebra ser evangélico, católico, judeu etc, etc, etc.

Quantas vezes ouvi pastores perguntando na igreja __"Ainda há alguém aqui que não é evangélico?" Como se isso fosse o bastante.

Os católicos embriagados com sua loucura dizem: "Salvação só na Igreja Católica Apostólica Romana”. Os evangélicos em seus delírios dizem: ”Não queremos que as pessoas mudem de religião”, contudo, se você não for evangélico é olhado como um párea. Quanta hipocrisia. Nunca ouvi falar que Jesus( que sendo Judeu foi o “centro” das principais religiões ocidentais) tenha agido assim.

Eles dizem que "isso" tá errado que "aquilo" é pecado, mas não mostram nenhuma saída a não ser a opressão e discriminação. Que tipo de crença é essa que não agrega, só separa, machuca corações sedentos, que crença religiosa é essa que não ama, que se baseia somente em interesses que não impulsionam à vida e que, pelo contrario, faz questão de negá-la?

Quando um padrão moral(retrógado por sinal) é mais importante que os indivíduos e suas particularidades e mais ainda, quando é imposto de maneira implacável, significa fadar indivíduos a morte. Uma morte em vida. Uma morte para si mesmo.
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