22 de outubro de 2008

"Fodam-se,fodam-se!"

Em 1964 um golpe militar depôs o presidente João Goulart, a partir daí centenas de brasileiros foram perseguidos, cassados, exilados, presos, torturados e mortos. Todos foram privados de expressar suas idéias ou seus ideais, não podia sequer pensar, todo tipo de produção de cunho artístico ou cultural foram censuradas. Ao todo foram censuradas mais de 1700 obras do cinema, música, teatro, literatura entre outras expressões artísticas.

Para manter o que eles chamavam de “segurança nacional” foi empregada muita violência. A propaganda do “milagre econômico” tentava a todo custo justificar os absurdos que afundavam a democracia brasileira e para tanto eram usados os meios de comunicação de massa. Contudo não conseguiram mascarar as torturas que aconteciam nas salas escuras do poder. Não conseguiram esconder a quê vieram.

Quem ousasse fazer qualquer tipo de denuncia, era exilado, torturado ou morto. Muitas vezes os três. E assim foi com jornalistas, músicos, padres, teatrólogos, políticos e qualquer um que desafiou o regime do medo e do terror. Em resposta a esse regime, grupos aderiram à luta armada, seqüestraram autoridades, e denunciavam os militares por meio de manifestos. Muitos foram encontrados mortos, outros ainda hoje estão desaparecidos. Mas quanto mais tentavam calar os brasileiros, tanto mais crescia a pressão popular.

Essa pressão popular culminou na abertura política no país e a extinção do AI-5 em 1978, a criação da lei da anistia em 1979 e, por fim, terminou a censura às produções artístico-culturais no país. Os exilados começaram a voltar, foram compostas letras de músicas que exaltavam o Brasil, que falavam da época de chumbo e todos celebravam a volta da liberdade de expressão.

Milhares de pessoas foram às ruas, isso em diversos estados e clamavam por ”Diretas Já”. Mais tarde pôde-se democraticamente eleger governadores, senadores, presidentes e etc.

Mas nem tudo se transformou em rosas, a interpretação que se fez da lei da anistia de 1979 beneficiou, sobretudo, autoridades que cometeram crimes em nome do governo, o que inclui torturas e execuções. Conclusão: Esses criminosos ficaram e continuam na impunidade.

Agora em agosto de 2008, o ministro da Justiça, Tarso Genro e o secretário dos Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, se mostraram dispostos a rever a interpretação da lei da Anistia. Claro que é necessário, ora deve-se lembrar que artistas foram censurados, mulheres foram estupradas, jovens eletrocutados, estudantes terrivelmente torturados, pessoas queimadas vivas, unhas arrancadas e os que cometeram esses crimes hediondos continuam completamente impunes transitando livremente pelas ruas.

E pasmem vocês, depois de afogar nosso país em dívidas e em sangue ainda querem nos obrigar a ouvir patifes como aqueles de outrora, dizendo que o erro foi “Torturar e não matar”. Tal declaração saiu da boca do deputado federal Jair Bolsonaro (E o povo ainda vota nesse tipo canalha) ao encontrar estudantes da UNE que faziam um manifesto pela Revisão da lei da Anistia na saída de uma reunião de Oficiais do Exercito no clube dos Militares. Como prova de seu caráter ele resolveu nos agraciar com mais umas de suas belas palavras e fechando o festival de canalhices continuou a declaração com as palavras:

“Fodam-se , fodam-se!”

http://www.dominiocultural.com/ver_coluna.php?id=8330 em 23/09/2008
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