Declaração Universal dos Direitos Humanos
Artigo 6
Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Acabamos de passar pela semana da consciência negra, um período tão curto, porém, um período que é revelador, muito mais do que qualquer outro. Por isso quero vincular esse momento ao que diz o artigo 6 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A semana que tem seu ápice no dia 20 de novembro nos mostra o quanto este artigo especificamente, nunca saiu do papel. É só parar um pouco e pensar. A abolição da escravidão aconteceu oficialmente há 120 anos, parece muito mais não é, foram séculos de negação da humanidade do homem negro. Esse povo não era visto como pessoa, não tinha seus desejos e sonhos respeitados, aliás, não lhe foi dado o direito de sonhar
Acabou a escravidão, o mercado de trabalho foi todo ocupado por imigrantes europeus e japoneses e os negros foram jogados nas periferias, fadados ao subemprego e à marginalidade. A história não mudou, hoje, afro-descendentes continuam ocupando as periferias (favelas), continuam privados de uma educação de qualidade e não encontram lugar no mercado de trabalho. Seu espaço agora está limitado às cotas de “inclusão” e aos projetos sociais do governo, salvo, quando conquista fortuna, aí sim, é “respeitado”.
O Brasil esconde uma das piores espécies de preconceito, aquele que age como se não existisse, que vai corroendo como o câncer. Limitam o negro às expressões artístico-culturais(Que por sinal são maravilhosas), ou ao futebol. Expressões que não comportam toda a dimensão de ser negro, de ser um indivíduo.
Ser negro, ou lutar por uma consciência negra, não é lutar contra outra etnia, é manter-se vivo, é firmar-se como pessoa. E reconhecer a importância de se manter ligado às raízes culturais de seu povo, que não se limitam à dança ou música, é exercer o direito de ser gente. Ter orgulho dessas raízes é o primeiro passo para ser visto e respeitado como pessoa.
Se afirmar como povo, sem, contudo, minimizar a importância de outros povos, é, sobretudo, se reconhecer como indivíduo, como pessoa. É pôr em prática o que está escrito no Artigo 6 da declaração.
A semana da consciência negra é, senão, a luta pela cidadania, que é muito mais do que ter direito de votar e de ser votado. É ter o direito de não precisar provar que é gente, pessoa ou indivíduo, é o direito de ser visto como tal desde o nascimento.
21 de novembro de 2008
10 de novembro de 2008
Essa não desceu redondo
Tantos carros, pessoas, pernas, pés. Cinza, é tudo o que consegue ver meu olhar triste. Passa, volta, mas não é por mim, não é para mim, aliás, para mim... Nada. Meus sonhos? Como líquido, escorreu um a um por entre meus dedos.
Eu estou aqui sim, mesmo que não me vejam.
Eu choro, sinto frio, minha barriga dói. Ninguém se importa.
Eles apenas passam com pressa, me chutam, me fazem chorar. E voltam dizendo que não posso ficar, nem aqui, nem ali.
Eu queria sumir, mas não posso.
Olhar para mim não faz bem aos olhos. Mas eu não era assim, me jogaram aqui.
Eu tinha um coração, mas o que me resta é um pedaço de carne cheio de rancor.
Coração não, ele não é para essas coisas, por isso, não tenho mais um.
Eles produziram, e me venderam, por isso podem entrar nos carros dos quais só vejo os pneus passando, aquela conversa agradável me convenceu.
Seu liquido mágico me prometeu sucesso, rodas de amigos, mulheres, me deu esperança de uma nova identidade, terminou por me roubar a que eu nem sabia que tinha.
Estava ali, ao alcance de minhas mãos. Minha garganta pedia.
Quatro anos, agora tenho que implorar pelo que, há pouco, me era oferecido.
Rastejo na sarjeta, o corpo dói...
Tudo outra vez: Chutes, palavras duras, zombarias, dores, rancor. Tantos carros, pessoas, pernas, pés. Cinza, é tudo o que consegue ver meu olhar triste e avermelhado pelo alcoolismo.
1 de novembro de 2008
Simplicidade
Ganhar na Mega-sena, aparecer num reality show, ficar podre de rico, chegar ao poder, comprar um helicóptero, ser dono de uma ilha, etc. Esses são apenas alguns dos ideais que a maioria das pessoas tem. Sinceramente, esse tipo de vida não me atrai muito.
Uma vida simples me parece bem mais atraente, é claro que isso não significa que ganhar dinheiro não é importante, aliás, não se faz quase nada sem dinheiro, e além do mais, conforto é sempre bem vindo.
O que não me entra na cabeça é essa corrida desesperada pelo lucro, essa briga pelo poder, arranjar sempre motivos para estar em evidencia, mesmo que para isso seja necessário um escândalo. Ter anseios é sadio, o que não é, é ter a vida firmada na ambição, no acumular e, se for preciso, até tirar de alguém.
Pense bem, você não acha que viver sem essa correria é muito mais fácil? Viver sem precisar ser derrubado ou derrubar alguém, ter tempo para namorar, brincar com os filhos, ler um bom livro, assistir a um bom filme e tantas outras coisas que só uma vida levada de maneira simples pode oferecer.
“Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa.” Escreveu Saint Exupéry
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