10 de novembro de 2008

Essa não desceu redondo


Tantos carros, pessoas, pernas, pés. Cinza, é tudo o que consegue ver meu olhar triste. Passa, volta, mas não é por mim, não é para mim, aliás, para mim... Nada. Meus sonhos? Como líquido, escorreu um a um por entre meus dedos.
Eu estou aqui sim, mesmo que não me vejam.
Eu choro, sinto frio, minha barriga dói. Ninguém se importa.
Eles apenas passam com pressa, me chutam, me fazem chorar. E voltam dizendo que não posso ficar, nem aqui, nem ali.
Eu queria sumir, mas não posso.
Olhar para mim não faz bem aos olhos. Mas eu não era assim, me jogaram aqui.
Eu tinha um coração, mas o que me resta é um pedaço de carne cheio de rancor.
Coração não, ele não é para essas coisas, por isso, não tenho mais um.
Eles produziram, e me venderam, por isso podem entrar nos carros dos quais só vejo os pneus passando, aquela conversa agradável me convenceu.
Seu liquido mágico me prometeu sucesso, rodas de amigos, mulheres, me deu esperança de uma nova identidade, terminou por me roubar a que eu nem sabia que tinha.
Estava ali, ao alcance de minhas mãos. Minha garganta pedia.
Quatro anos, agora tenho que implorar pelo que, há pouco, me era oferecido.
Rastejo na sarjeta, o corpo dói...
Tudo outra vez: Chutes, palavras duras, zombarias, dores, rancor. Tantos carros, pessoas, pernas, pés. Cinza, é tudo o que consegue ver meu olhar triste e avermelhado pelo alcoolismo.
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2 comentários:

Bruno disse...

GOstei do texto, isso parece uma análise daquele cidadão q fica perto do quartel, é ele silvio!

Silvio Melo disse...

num sei quem é não...essa é uma estória...pode falar de qualquer um...vlw

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