Sabe aquela sensação de estar sendo apertado por todos os lados? É assim que estou me sentindo hoje. Sei lá, é como se algo não estivesse completo. Como um texto que precisa ser reescrito.
Então, deve ser este o motivo que me fez acordar assim, meio saudosista, lembrando das brincadeiras de criança, dos vendedores de algodão doce passando na minha rua, de quando eu empinava Pipa, brincava de pião com a garotada em frente de minha casa, do futebol que sempre terminava em confusão, de quando só o seriado Chaves era capaz de me deter na frente da TV. Também senti uma saudade louca do meu pai.
Esse processo de resgate do passado começou de uma maneira bem estranha, meio sem querer. Enquanto navegava na net pude perceber um paralelo entre o espaço virtual e minha própria vida.
No espaço real existem coisas que me remetem a lembranças só minhas, que interessam somente a mim: Cheiros, sensações, lugares etc., momentos que foram diretamente influenciados, modificados ou somente vividos por mim, ou seja, de alguma maneira existem pontos na minha memória que quando acessados remetem a passagens da minha vida que me fizeram ser quem eu sou hoje ou até mesmo, que poderão fazer-me diferente do que me tornei.
No Hipertexto, plataforma a qual se agregam outros conjuntos de informação em forma de textos, imagens ou sons, cujo acesso se dá através dos links, que, assim como na vida, me levam a lugares que interessam somente a mim, ou seja, esses caminhos digitais me levam a destinos que foram produzidos(Textos, por exemplo), ou percorridos por mim, esses caminhos são vivenciados de forma tal que as informações passam a ser absorvidas, reeditadas, reafirmadas, contestadas ou somente percebidas por mim.
Minhas experiências vividas no ambiente real e também no virtual me propiciam fazer uma constatação: Nada é definitivo ou está livre da possibilidade de ser modificado. À medida que o dia é vivido vai se configurando a possibilidade da mudança, do recomenço, a oportunidade de refazer a história. De igual modo, ao passo que os hipertextos são explorados, os links nos dão a oportunidade de trilhar um novo caminho, de mudar nossa percepção em relação a determinado tema, ou somente mudando o foco de interesse.
Cada memória, cada hiperlink é, senão, a oportunidade do recomeço.
23 de dezembro de 2008
Razões
As mesmas razões que me fizeram acreditar no teu sorriso fácil, nas tuas palavras ingênuas, no menino que me faria feliz por toda uma vida. Que ironia... o menino tornou-se um homem que eu não conheço, alguém incapaz de perceber que será inesquecível.
Imortalizei o encanto que devotei a ti, o tempo nada é. Nada importa, se tu existes, só para que eu assim possa sentir tua falta, fechar os olhos e ouvir tua voz sussurrando baixinho as palavras que eu nunca mais quero ouvir.
“Depois de ti os outros serão sempre os outros”, ninguém é perfeito comparado à tua imperfeição, ninguém me fará sofrer como tu o fizestes, eu nunca irei amar, ou acreditar nesse sentimento, se não for oferecido ao meu, já que em nenhum momento existiu o nosso, mais belo sonho. Hoje já não falo da ilusão adolescente que outrora me magoou, me marcando por toda uma vida, não preciso mais mentir que não é para ti que meus pensamentos voltam, quando todo o resto se perde no pó de um fracasso previsível.
A ti, minha mais doce ilusão, eterna realidade presente, dedico palavras repetidas, rabiscos tão patéticos como há tanto tempo não escrevia, devaneios tolos que a poucos mostrei, e o que importa agora se o mundo sabe? Se não é você que irá ler!
Na verdade não é que eu não acredite no amor, ele pode sim existir, mas não para mim, não quando tu não podes ser meu, mesmo que sempre seja, por mais que hesite, sei que lembra, tenho certeza. Quem não lembraria? Quem não associaria um ao outro em um lugarejo tão pequeno, onde existe o mais perfeito pôr do sol, onde o céu faz parar o tempo, onde as estrelas brilham mais, onde eu não volto, nada volta, não mais.
Quero meu tempo de volta, quero uma felicidade passageira que nunca vá embora, quero parar o filme no instante em que deitado em meu colo fechastes os olhos, no momento em que era só meu, de olhos fechados para o mundo, e os meus abertos para ti. Só você e nada mais.
E qual razão teria eu para amar-te? Realmente, nenhuma! Nunca acreditei nas juras destinadas a tantas, nunca pensei serem exclusivos os beijos sem sentimento que me davas, em nenhum momento tive a pretensão de achar que gostavas de mim ou que apenas sentisse falta do meu abraço, sempre falamos línguas tão diferentes... nunca entendias meus motivos, minha dor, meu sentimento, minha razão!
Mas por que terminar o textinho patético de uma iludida incurável, com palavras tristes? Por que não voltar à ilusão de que fui amada, por uma vez apenas. Às vezes precisamos mesmo de uma mentira, a única que nos faça viver. Pensamentos sem nexo, lembranças que vão muito além da lógica, coisas que só eu sei, só eu senti, só eu vivo.
Minhas razões, únicas, indecifráveis, inexplicáveis. Não sei para quê leram tamanha bobagem, mas se leram, me desculpem, não queria expor tanta idiotice, foi apenas uma forma que encontrei para dizer que minha razão ultrapassa os limites do tempo e da reciprocidade. Não importa que eu nada tenha, desde que possa ver-te feliz, mesmo que ao longe, longe demais para poder alcançá-lo um dia.
Por Fernanda Medeiros
Imortalizei o encanto que devotei a ti, o tempo nada é. Nada importa, se tu existes, só para que eu assim possa sentir tua falta, fechar os olhos e ouvir tua voz sussurrando baixinho as palavras que eu nunca mais quero ouvir.
“Depois de ti os outros serão sempre os outros”, ninguém é perfeito comparado à tua imperfeição, ninguém me fará sofrer como tu o fizestes, eu nunca irei amar, ou acreditar nesse sentimento, se não for oferecido ao meu, já que em nenhum momento existiu o nosso, mais belo sonho. Hoje já não falo da ilusão adolescente que outrora me magoou, me marcando por toda uma vida, não preciso mais mentir que não é para ti que meus pensamentos voltam, quando todo o resto se perde no pó de um fracasso previsível.
A ti, minha mais doce ilusão, eterna realidade presente, dedico palavras repetidas, rabiscos tão patéticos como há tanto tempo não escrevia, devaneios tolos que a poucos mostrei, e o que importa agora se o mundo sabe? Se não é você que irá ler!
Na verdade não é que eu não acredite no amor, ele pode sim existir, mas não para mim, não quando tu não podes ser meu, mesmo que sempre seja, por mais que hesite, sei que lembra, tenho certeza. Quem não lembraria? Quem não associaria um ao outro em um lugarejo tão pequeno, onde existe o mais perfeito pôr do sol, onde o céu faz parar o tempo, onde as estrelas brilham mais, onde eu não volto, nada volta, não mais.
Quero meu tempo de volta, quero uma felicidade passageira que nunca vá embora, quero parar o filme no instante em que deitado em meu colo fechastes os olhos, no momento em que era só meu, de olhos fechados para o mundo, e os meus abertos para ti. Só você e nada mais.
E qual razão teria eu para amar-te? Realmente, nenhuma! Nunca acreditei nas juras destinadas a tantas, nunca pensei serem exclusivos os beijos sem sentimento que me davas, em nenhum momento tive a pretensão de achar que gostavas de mim ou que apenas sentisse falta do meu abraço, sempre falamos línguas tão diferentes... nunca entendias meus motivos, minha dor, meu sentimento, minha razão!
Mas por que terminar o textinho patético de uma iludida incurável, com palavras tristes? Por que não voltar à ilusão de que fui amada, por uma vez apenas. Às vezes precisamos mesmo de uma mentira, a única que nos faça viver. Pensamentos sem nexo, lembranças que vão muito além da lógica, coisas que só eu sei, só eu senti, só eu vivo.
Minhas razões, únicas, indecifráveis, inexplicáveis. Não sei para quê leram tamanha bobagem, mas se leram, me desculpem, não queria expor tanta idiotice, foi apenas uma forma que encontrei para dizer que minha razão ultrapassa os limites do tempo e da reciprocidade. Não importa que eu nada tenha, desde que possa ver-te feliz, mesmo que ao longe, longe demais para poder alcançá-lo um dia.
Por Fernanda Medeiros
3 de dezembro de 2008
Não há vagas

Chegou correndo, porta aberta e, abarrotada de bagagens entra sem dizer nada.
− Pois não, posso ajudar?
Desviando o olhar, ela fala apressada:
− Um quarto, por favor.
− Fez reservas? Perguntei. Ela, ainda sem olhar, balança a cabeça.
− Não?
− Tem certeza que não tem nem um quartinho pra mim? Um pequenininho sequer? Não precisa ser suíte não.
− Olha, mais à frente tem uma hospedaria, quem sabe lá você num encontra lugar.
− Pode ser.
− Você sabe, encontrar lugar aqui, assim, sem reservar é difícil. Ainda mais num lugar tropical, sol o ano inteiro.
− Como é seu nome? Perguntou.
Respondi −Alma Livre.
Ela já ia correndo, toda atrapalhada com suas bagagens. Gritei.
− Ei psiu! E o seu?
− Meu nome? TRISTEZAAAAAAAA!!!
Ciranda de idéias

Um mágico, um escultor de sonhos, uma criança em suas brincadeiras... O que dizer de quem escreve, de quem de uma caneta e um papel faz surgir como num passe de mágica um outro mundo? Um mundo que por vezes faz sorrir; mas que pode de maneira tão bela quanto, fazer chorar. Que dom tão belo e tênue, o de manejar bem as palavras.
Palavras que levam a reflexão ou a constatação de fatos, que pode prender a realidade ou simplesmente como num golpe de arte marcial oriental te arrebatar para outra dimensão, a das idéias, dos sonhos, do imaginário;do lúdico...
O paradoxo do prazer e da dor, a arte de escrever como uma expressão livre, livre para observar ou não as normas cultas da língua, para criar novos gêneros literários ou apenas escrever... Num exercício de liberdade e prazer, numa dança linda entre emoção e razão.
Pela escrita pode-se formar conceitos, destruir preconceitos e ampliar nossa cosmovisão.
Quem escreve não morre,mas renasce cada vez que tem uma de suas obras lidas.
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