3 de março de 2009

Dá pra acreditar?

"O caso da menina de 9 anos que engravidou de gêmeos depois de ser estuprada será resolvido pela Justiça. O acusado do crime é o padrasto de 23 anos. O pai da criança foi ouvido nesta segunda-feira pela Assistência Social do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip) e, evangélico, teria se posicionado contra o procedimento de aborto, iniciado no último sábado. Sem a decisão da junta médica do hospital e com a divergência entre os pais, a situação será decidida por um juiz da infância e da juventude"(Jornal do comércio)
Bem, vamos lá. Para entendermos melhor o caso, vou tentar dividir meu comentário em três partes.


A mãe
Pense um pouco: Há quanto tempo a mãe da vítima esteve "casada" com esse monstro de 23 anos? Não sei, mas é de se imaginar que ela, ao menos minimamente, o conheça. Digo isto, porque acho que caráter é algo que não se consegue, de forma alguma, esconder. O dia a dia se encarrega em dizer quem é quem.


Ela, de uma maneira ou de outra, deveria ter percebido, através do comportamento de seu companheiro, a iminência desta tragédia.
Provavelmente ele deve ter dito a que veio, ou seja, ter se mostrado como alguém que, pelo que aconteceu (o estupro) não amava essa criança.
Mas não vamos culpá-la, afinal o acusado é o padrasto da menina.


O pai
Que tipo de débil mental as igrejas estão produzindo afinal? Que tipo de pai é esse que escolhe, em nome de uma instituição, submeter a própria filha ao calvário de carregar dentro de si duas crianças que são consequência de um ato de incomensurável monstruosidade?


Além dos riscos à saúde física da menina, que tem apenas 9 anos, deve-se pensar também em como será sua vida, sendo obrigada a cuidar de duas crianças, não tendo ainda estrutura física e muito menos psicológica para isso. Sem falar no peso que deve ser olhar para seus próprios filhos e ter que se lembrar do sofrimento causado pelo crime hediondo praticado por seu padrasto. Onde está o amor deste pai?


Que tipo de coisa se ensina em uma igreja; será que o aborto, neste caso, não seria um ato de amor? Na verdade, me parece, que o verdadeiro significado da palavra "AMOR" ainda está encoberto pelo véu da ignorância que é corroborada por instituições que defendem apenas seus próprios interesses, deixando a pessoa humana em segundo plano.


Ter filho deveria ser uma escolha. Acho que uma criança de 33 quilos, 1,36 de altura e 9 anos de idade, não deve ter escolhido ser mãe agora, não é mesmo?
A gravidez gemelar apresenta riscos à saúde e à vida da mãe. E nestes casos, o aborto está assegurado por lei. Então que se dê inicio aos procedimentos.


O padrasto
Eu suponho que ao unir-se com uma mulher que traz consigo filhos de outro relacionamento, o homem deve aceitar e, ainda mais, amar a condição de fazer às vezes de um pai. Se não for assim por que continuar o relacionamento?
Ao longo do tempo as palavras padrasto e madrasta tem ganhado uma conotação muito negativa. Mas, eu ainda acredito que um padrasto ou uma madrasta tem a possibilidade de amar uma criança ainda mais e, numa intensidade bem maior que o genitor. Afinal, em não sendo os pais biológicos, eles estão na condição de escolher amar ou não a criança(se a escolha for não, cai fora) ao contrário dos pais que podem amar muito, mas amam apenas pelos laços sanguíneos.


Se ele escolheu deixar o relacionamento ter continuidade, presumi que ele escolheu também amar à criança, mas não foi bem assim. Ele a estuprou.
Não consigo entender como alguém pode querer manter um relacionamento sexual forçadamente com alguém, e pior, neste caso foi com uma criança, com a filha de sua esposa, a qual ele deveria ter escolhido amar. Será que alguém pode classificar uma pessoa dessas?

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2 comentários:

Laryssa disse...

Tema polêmico. Mas vamos lá... vou tentar tecer meu olhar da história. Sobre a instituição igreja, acredito que não estão preparadas para lidar com aquilo que foge ao ideal (famílias felizes sem divórcios, sexo após APENAS do casamente e coisas do tipo...) quando algo DIFERENTE, e até absurdo para nós, acontece... nenhuma atitude sensata é tomada.
Mas, não estou defendendo de modo algum o aborto, até porque não o apoio, contudo, concordo com você no aspecto de que essa criança de 9 anos não escolhera essa gravidez.
O problema do aborto, é que a criança pode correr risco de morte, além dos danos psicológicos (maiores ainda do que o estupro já tenha causado). Enfim, eu não sei qual é a melhor decisão a ser tomada, mas sem dúvida seja ela qual for, não podemos medir o impacto que isso terá na vida dessa menina.
Quanto ao aspecto de que o padastro deveria ter escolhido amá-la e que a mãe deveria ter percebido o caráter dele... Entendo que é algo muito complexo, como minha avó diz: "Coração é terra onde ninguém pisa, que dirá vê". Na real mesmo, ninguém conhece o caráter e os pensamentos de ninguém, mas que ela poderia ter se ligado que algo não estava bem... isso podia. No mais, estou muito triste, pois esse não é o primeiro caso de violência infantil, ela é mais uma Isabela que infelizmente será esquecida nos próximos dias, contudo, espero que Deus possa curá-la e ser fiel a Sua palavra que diz que nEle podemos todas as coisas, até sermos curados de eventos tão traumáticos quanto um estupro.

Beijo Sílvio, e gostaria de dizer só mais uma coisa, não podemos buscar a compreensão dos outros baseado naquilo que somos ou cremos, sei que vocÊ é um cara verdadeiro e do bem, porque somos amigos há bastante tempo,mas não podemos compreender esse homem de atitude tão perversa, porque aparentemente ele não tem os mesmos valores que você. =/

Anônimo disse...

A Bíblia diz em Êxodo 20:13 “Não matarás.”

Meu brother nunca vi uma palavra para fazer tanto pesar nas nossas consciências como essa.


Imagino um cara desse fazendo isso com minha filha (embora eu ainda não tenha uma), acho que eu o mataria com minhas próprias mãos (também não sei se faria isso, mas o momento é que diria o que iria acontecer).
Não sou a favor do aborto, valorizo a vida, pois acho que a mulher violentada, consegue sim amar essa criança, afinal de contas o filho também é dela (quantas mulheres são violentadas pelos seus próprios maridos que também são mostros e elas consegue amar seus filhos ???). Mas quando isso se trata de uma criança de 9 anos, só ela tendo um bom acompanhamento psicológico para poder recuperar o trauma.

Sou contra a pena de morte também, pois acredito na reabilitação e transformação do homem.
Mas quando fato como esses acontecem não sabemos o que pensar direito.

Já que na legislação brasileira dá abertura para o aborto nos casos de estupro e quando o feto está sendo formado sem cerébro. Então não temos nada a fazer e aguardar a justiça tomar suas providências.

Essa tema é muito polêmico, mas é essa é a minha opinião!!!

Um grande abraço!!!

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