11 de outubro de 2010
O pequeno mundo de Daiênni
Xu-xu-xu, Xa-xa-xa, é o um jeito novo de criticar!
No seu discurso cheio de farsa ele tentava nublar a história do Brasil, já que certamente bem sabe: as mães solteiras foram (e são) as grandes responsáveis pela criação e educação de parte substancial dos filhos deste nosso país.
Muitos e muitos homens preferem, certamente, fugir assim que se deparam com uma gravidez que, com toda certeza, ajudaram a produzir. Deixam tudo sobre os ombros da mulher e saem de fininho, como se não tivessem nada com o caso.
Isso é traço histórico: há um enorme número de mães solteiras desde sempre. Mulheres que não abrem mão de sua nobre maternidade. Dignas e bravas. Abandonadas pelo parceiro num momento crucial e difícil de suas vidas, seguem firmes.
Prova disso é a lei recente que obriga homens irresponsáveis e malandrões à pagarem pensão, sob pena de cadeia. Até pouquíssimo tempo, porém, eles não pagavam, não assumiam, não respondiam, continuavam engravidando quantas eles pudessem e ponto.
Está aí a base das idéias conservadoras e autoritárias contra a mulher. Não há montagens nem distorções no vídeo que segue: pra essa corrente de "pensamento" as mulheres devem se curvar aos mandos de quem sabe das coisas: ELES.
No caso da apresentadora Xuxa era uma mulher de sucesso e independência que, mesmo assim, enfrentou a fúria machista por desejar ser mãe mesmo sendo solteira.
Xuxa dá uma resposta digna e indignada:
Goste ou não da apresentadora, ninguém poderá negar o supremo direito de uma mulher ter filho. Ok, direito ela teve, já que o bebê veio. Mas é preciso ter também RESPEITO pela decisão das mulheres.
Ou...
1) Será que mulheres solteiras não podem "fazer amor", já que há sempre a possibilidade de gravidez, mesmo com os cuidados mais intensos?
2) Será que elas estariam proibidas de optarem por um ou mais filhos sem a supervisão do universo masculino dominante?
3)Ou será que Serra preferiria que, no caso da gravidez fora do casamento, as mulheres abortassem discreta e higienicamente?
Pense nesse tipo de autoritarismo. Ele está em voga na campanha eleitoral de 2010.
Está disfarçado, mas está aí!
8 de outubro de 2010
As linhas tortas do livro de Jó
Jornais protestam contra Lei antirracismo na Bolívia
A maioria dos jornais bolivianos saiu nesta quinta-feira sem notícias na primeira página e apenas com breves declarações sobre a liberdade de expressão. A medida foi um protesto contra uma lei que será votada pelo Senado e, se aprovada, determinará o fechamento de meios de comunicação que divulguem mensagens racistas.
O protesto não teve efeito imediato entre os que propuseram a nova lei, incluindo a maioria de parlamentares governistas e o presidente Evo Morales, de origem indígena.
Em entrevista coletiva, Morales declarou nesta quinta que "chegou a hora de acabar com o racismo" e renovou as garantias à liberdade de expressão.
Proprietários de jornais e parte das organizações de jornalistas do país optaram pelo protesto quando a bancada governista no Senado anunciou que não previa suavizar as sanções aos veículos "racistas" contidas no projeto de lei aprovado previamente pela Câmara de Deputados.
Os únicos textos nas primeiras páginas dos jornais "La Prensa" e "El Diario" eram os dizeres "não existe democracia sem liberdade de expressão".
Já o "Página Siete" publicou uma breve justificativa de sua rejeição à lei antirracista.
É claro que uma lei como estas abre enormes "brechas" para a censura e , é claro, para sanções de cunho meramente político.
A verdade é que esses empresários da comunicação não estão preocupados com a liberdade de expressão propriamente ditas, eles estão morrendo de medo é de ganhar menos dinheiro.
Se a lei pretende unica e exclusivamente- o que eu acho muito difícil- inibir publicações racistas nas páginas dos jornais, tem é que ser votada mesmo. Melhor que fechar os jornais seria aplicar multas, acompanhadas de retratações com prejuízos financeiros que tornassem inviáveis qualquer publicação racista.
Contudo a liberdade de expressão não significa poder dizer/publicar, onde quer que seja tudo o que quiser,significa dizer tudo, porém sem desrespeitar ou oprimir minorias.
8 de setembro de 2010
Do celular ao Próximo
Vamos lembrar do período da Revolução Industrial, começou ali a era do consumo e da produção em massa. Milhões de unidades de tudo o que se possa imaginar, sendo produzidas diariamente nas fábricas ao redor do mundo.
E, para a máquina não emperrar, toda essa montanha de produtos deve ser escoada. Para fugir da recessão, fantasma do sistema capitalista, as pessoas precisam consumir. O consumo é o coração de todo o sistema. Sem consumo, e mais, sem consumo em níveis crescentes, o sistema capitalista, sendo bem claro, vai para as cucuias.
Como manter o consumo em níveis crescentes? De acordo com Bauman o “consumismo” é um tipo de arranjo social resultante da reciclagem de vontades, desejos e anseios humano rotineiros, permanentes, transformando-os na principal força que impulsiona a sociedade.
Na vida moderna tudo é agora, o mercado imputa nas mentes humanas a necessidade de sempre ter o que é novidade, o mais moderno e, é claro, o mais caro. Neste contexto a demora é o serial killer das oportunidades para o consumo. As coisas caem em desuso de um dia para o outro. Um dos grandes responsáveis por tudo isso é a convergência digital. Todo mundo quer ter um smart phone, um Ipad ou um netbook.
Sim, é verdade que na vida “agorista” dos cidadãos da era consumista o motivo da pressa, é em parte, o impulso de adquirir e juntar. Mas o motivo que torna a pressa de fato imperativa é a necessidade de descartar e substituir.
Ora, em uma sociedade em que tudo é descartável, inclusive, as pessoas, animais de estimação, amores, relações e valores, o fato de que o consumo, o mercado e a economia também girem em torno do descarte e da substituição, não é de surpreender ninguém.
PS.: Você pode ser o próximo a ser substituído. CUIDADO!
5 de setembro de 2010
O Mito da Caverna
Cada minerador conversou por cerca de um minuto com seus familiares. Graças a um sistema de comunicação de fibra óptica, as famílias puderam ver e ouvir os trabalhadores. Já no interior da mina, os interlocutores soterrados só puderam ouvir as palavras que chegavam do exterior" (portal G1)
Não é novidade para ninguém. O homem, por natureza, é um ser social. Além disso, o homem já nasce como membro de um pequeno grupo, a família. Depois passa a pertencer a outros grupos: amizade, vizinhança, escola, igreja.
A vida social em grupos e em sociedade, tanto do ponto de vista social, como do ponto de vista biológico, é condição de sobrevivência da espécie humana.
O homem vivendo em sociedade forma e desenvolve sua personalidade; é assim que a cultura é criada e, através dela, ele satisfaz suas necessidades.
Neste domingo, completa-se um mês desde que o desmoronamento soterrou os 33 mineradores (32 chilenos e um boliviano) a quase 700 metros debaixo da terra, na mina de cobre e ouro San José. É provável que eles permaneçam ali, nas profundezas da terra, por mais dois ou três meses.
Quantos de nós aguentaria ficar longe das pessoas com as quais estamos habituados a conviver? É duro ficar sem aquelas pessoas que escolhemos manter por perto.
Guardadas as devidas proporções, seria como ficar três ou quatro meses trancados em uma redação de TV, em um escritório, atrás do balcão de uma lanchonete e pior, rodeados de colegas de trabalho.
Vamos combinar, é bem possível que você goste e até admire seus companheiros de labuta. O problema é continuar gostando deles dentro de um lugar escuro, apertado, com pouco ar, sob 700 metros, com o risco iminente de ser soterrado e mais, isolado da realidade.
É claro que agora a principal meta deles deve ser a vida biológica. Mas a vida social interrompida repentinamente pode trazer muitos prejuízos. É como se os mineradores estivessem vivendo o Mito da Caverna, narrado por Platão no livro A República.
Por um minuto cada um deles pode falar com familiares, mas é evidente que é impossível, a partir disso, perceber a nova realidade do mundo lá fora, se não apenas as sombras dela, afinal, lá fora as vidas continuaram sendo vividas, mesmo sem eles.
Quando saírem do isolamento esses mineiros irão se deparar com a verdade essencial das coisas. Eles suportarão?
16 de julho de 2010
José Serra sugere ter amantes com discrição e reduzir impostos para evitar suicídios
O despreparo político, emocional e intelectual de José Serra é preocupante, é um alívio que tenha poucas chances de ser eleito presidente.
Politicamente, Serra é um desastre, capaz de trapalhadas fantásticas como a indicação de Alvaro Dias para vice e a rendição, no dia seguinte, aos caciques do DEM, que impuseram um ilustre desconhecido para o segundo cargo mais importante do país. Na remota hipótese da eleição do tucano e num seu eventual impedimento, o Brasil poderia acordar presidido por Índio da Costa, sobre quem só se conhece o envolvimento em maracutaias da merenda escolar carioca. Indio também foi vendido pela mídia serrista como “o relator do projeto ficha limpa”, mas era mentira, mais uma para a lista.
Emocionalmente, Serra é um destemperado, muito agressivo com jornalistas, especialmente com as mulheres. São numerosos os exemplos, todos disponíveis na internet, de suas agressões grosseiras aos repórteres que o entrevistam. Ao mesmo tempo, Serra é capaz de fazer constrangedores galanteios a uma repórter bonita que o entrevistava sobre a tragédia da enchente paulista, onde morreram dezenas de pessoas. E a sugerir que seu jovem vice, que lhe disse ser fiel a sua namorada, que não haveria problemas que tivesse amantes, desde que fosse discreto.
Intelectualmente, Serra é uma decepção. Já entraram para o folclore político brasileiro as bobagens que disse, em tom professoral, sobre a transmissão da gripe suína que aconteceria, segundo ele, quando alguém encosta o nariz no nariz de um porquinho. Ontem, no mesmo dia em que foi apresentado ao seu vice e lhe sugeriu ter amantes com discrição, Serra comentou a carga tributária brasileira que, segundo ele, está entre as maiores do mundo:
“Eu não estou comparando com a Suécia, com a Dinamarca, com a Finlândia, claro, são países com uma renda tão alta que todo mundo já consumiu, todo mundo já gastou no que tinha que gastar, aumenta índices de suicídio pela monotonia da vida, quer dizer, naturalmente tem uma carga tributária mais alta para o estado de bem-estar, para aposentadoria, para isso, para aquilo... Mas nos países emergentes a situação ainda não é essa, ainda há muita gente para entrar no mercado.”
15 de março de 2010
Quadrado Mundo
http://ritaapoena.blogspot.com/
14 de fevereiro de 2010
Pessoas Frustradas
Existem pessoas que realmente carregam consigo uma enorme frustração. O pior é que algumas nem devem saber que são assim. Convivo com algumas. Parecem anestesiadas.
Não são felizes, se incomodam com a felicidade do outro, principalmente se tem algum laço familiar. Esse tipo de pessoa odeia ser diferente e, quando percebe alguém ao redor com ares de felicidade ou, mesmo que seja a passos tímidos, caminhando para a felicidade, estranhamente, sente que precisa fazer algo para atrapalhar isso. Como? Fulano não pode ser feliz, tenho que fazer algo!
A parte mais triste é que alguém assim não consegue se limitar a apenas carregar consigo sua própria frustração. Além de viver amargurado, deseja que o mundo todo também viva assim. Não suporta ver pessoas bem\ sucedidas na vida. Não consegue tolerar a felicidade no semblante do outro. Saber que alguém tem competência lhe faz mal. Parece que falta capacidade, coragem ou qualquer outra coisa. Sei lá, deve ser falta de força de vontade, egoísmo, desvio de caráter. Deve ser tudo junto.
É difícil mudar o jeito mesquinho de um frustrado inveterado, eu diria que é impossível, na verdade, só o fazendo nascer de novo.
O fato é que em vez de procurar fazer algo bom de sua vida, o frustrado de carteirinha limita-se a condenar tudo o que os outros fazem. Claro, é muito mais fácil ficar de olho na vida do outro do que prestar atenção em sua própria.
"Apontar" é quase um esporte. Identificar presumíveis erros alheios é como se fosse uma missão. Ora, se tem toda essa competência, se conhece tudo sobre a vida, se sabe apontar todo erro cometido, então por que não procura fazer a coisa certa e pronto, por que em vez disso se limita a dizer que o mundo todo está errado?
É fácil estabelecer parâmetros para o outro, é extremamente cômodo ditar regras de conduta, padrões de pensamento, dizer o que temos que fazer, que tipo de vida temos que levar, com quem devemos viver, etc. O difícil é perceber a individualidade do outro, respeitar as preferências, desejos, particularidades, enfim, deixar viver.
Para o frustrado, apenas ele, o supra-sumo da capacidade e da inteligência, conhece o segredo da vida. Se conhecem, não praticam, se praticassem não seriam tão infelizes.
Pessoas assim acabam se isolando do mundo, ficam sem objetivos, diversão se torna coisa rara, abdicam de relações afetivas, não tem amigos e, quando tem algum, a relação é de puro interesse. Nunca fazem por amor, por carinho, compaixão ou simplesmente por fazer. Tudo é uma grande troca, um grande escambo da vida. Elas não ouvem música, não se empolgam com um bom filme, um bom livro. No máximo uma novela e pronto.
São pessoas medíocres, mesquinhas, são como fagulhas de tudo que há de ruim no mundo, resquícios de toda opressão, reflexos dos colonizadores, da pequena burguesia, Para essas pessoas digo, porém, que combaterei, pois, todo aquele que pretenda, se opor à felicidade alheia ou impor um costume particular aos outros costumes, um povo aos outros povos, uma raça às outras raças, um pensamento aos outros pensamentos.
Para esse tipo de gente um conselho: Bom seria viver com o coração, dar lugar as emoções. Abandonar a mecanicidade, a rotina.Levar a vida com mais leveza.
Como diria Saint Exupéry: A máquina não isola o homem dos grandes problemas da natureza, mas insere-o mais profundamente neles.


